A armadilha da métrica errada
Existe uma armadilha comum no marketing do varejo: medir o sucesso de uma campanha pela venda imediata que ela gerou. Para muitos segmentos, essa lógica funciona. Para material de construção, ela é uma cilada.
Quem compra piso, revestimento, louça ou torneira não decide no impulso. Decide depois de sonhar, pesquisar, comparar, visitar a loja mais de uma vez, conversar com o cônjuge, esperar o dinheiro encaixar. O ciclo pode levar semanas ou meses. Isso não significa que a comunicação não funciona — significa que ela funciona de forma diferente. Ela prepara o terreno. Ela faz com que, na hora da decisão, o nome Bandini já esteja na cabeça do consumidor como referência natural.
Foi com essa compreensão que desenvolvemos a campanha Perrengue ou Bandini, em setembro de 2025.
O conceito nasceu de uma verdade que todo mundo conhece
Obra é perrengue. Atraso, falta de material, imprevistos, orçamento estourado — quem já reformou sabe. Quem ainda vai reformar já ouviu falar. Esse território emocional é universal e carregado de identificação.
A campanha explorou exatamente esse contraponto: de um lado, o caos familiar da obra mal resolvida. Do outro, a tranquilidade de quem escolheu o parceiro certo. A Bandini não aparece como loja — aparece como solução para um problema real na vida das pessoas.
Onde a Inteligência Artificial entrou — e por quê fez diferença
Para dar vida ao conceito de perrengue através dos tempos, usamos IA generativa para criar uma série de peças visuais que colocariam situações absurdas e humorísticas em contextos históricos: Michelangelo atrasado com a entrega da Sistina, construtores de pirâmides sem material no Egito Antigo, até o Pé Grande tentando erguer sua casa na floresta.
Produzir esse volume e variedade de imagens com qualidade por meios convencionais seria inviável no tempo e no orçamento disponíveis. A IA tornou possível o que antes era excludente: criatividade ampla com agilidade operacional.
Mas é importante deixar claro o que a tecnologia fez e o que ela não fez. Ela executou. A estratégia, o conceito, a escolha do território emocional, a decisão de usar humor, a curadoria de cada peça — tudo isso foi humano. A IA foi o pincel, não o artista.
A âncora construída em conjunto
Ciro Bottini é a voz da Bandini há cinco anos. Mas essa escolha não surgiu pronta — nasceu de um processo estratégico conduzido pela Difusa em conjunto com o cliente. Discutimos perfis, atributos de credibilidade, aderência ao público regional. O Ciro emergiu como o nome certo: autoridade em vendas, energia que funciona em rádio e TV, e viabilidade de contato que tornava o projeto possível. A parceria se consolidou e segue até hoje.
Vale lembrar: a Difusa atende a Bandini há quase 40 anos. Esse tipo de decisão — quem vai ser o rosto de uma marca — não se toma sem conhecer profundamente o negócio, o consumidor e o mercado onde ele opera. É o que quatro décadas de parceria permitem fazer com segurança.
Na campanha Perrengue ou Bandini, integramos a locução do Bottini ao rádio e expandimos a presença para mídia exterior, TV e redes sociais, com mais de 20 inserções nas emissoras Band e Thati Record durante um mês. Quando a IA produziu imagens inéditas ancoradas numa voz já consolidada, o resultado foi uma campanha com alcance de produtora grande e custo de agência regional.
O que medimos — e o que não faz sentido medir
Engajamento cresceu. Atenção à marca aumentou. O cliente percebeu satisfação do público com o conteúdo. São indicadores coerentes com o objetivo da campanha.
Ninguém esperava pico de vendas na semana seguinte ao lançamento — e seria ingenuidade esperar. O consumidor de material de construção está num ciclo longo de decisão. A campanha cumpriu seu papel: estar presente e relevante no momento em que ele ainda está formando opinião. Quando ele entrar na loja, a Bandini já vai ser conhecida, querida e lembrada.
Essa distinção — entre campanha de ativação e campanha de construção de marca — é uma das mais importantes que qualquer empresário do varejo precisa entender antes de investir em comunicação.
O que aprendemos para o futuro
O Perrengue foi nosso teste de fogo com IA em escala. Desde então, aperfeiçoamos o processo. A tecnologia está mais integrada ao fluxo criativo, os resultados visuais estão mais refinados e a velocidade de produção aumentou ainda mais.
O que não mudou — e não vai mudar — é a premissa: tecnologia serve à estratégia, não o contrário. Antes de qualquer ferramenta, é preciso entender o negócio do cliente, o comportamento do seu consumidor e o que a comunicação precisa construir no longo prazo.
Esse é o trabalho da Difusa.



